Porque não há nada mais incomunicável e distante que o amor, e nada mais desprezível que uma mulher que não te quer mais.

De:Igor Frederico

O incompreendido

09/02/2012

Vento.Vento. Pausa. Vento. Vácuo…

Não me lembro de nada, só da causa perdida, da perda que sofri, do vazio que me tornei. As vezes penso que sou um grande vazio envolto de uma grande capa de pele e órgãos, pois nada do que acontece me afeta, aparentemente, talvez eu seja um sociopata, ou talvez eu seja apenas um cara confuso. A verdade é que independente do relacionamento que eu tenha, eu machuco alguém e saio ferido, só que anestesiado. E essa anestesia é forte até de mais, parece anular todo o meu potencial vital, e me transforma em uma espécie de zumbi do amor, algo próximo de alguém que quer amar, não consegue, mas continua insistindo, inerte, sem evoluir ou modificar, apenas prossegue com a jornada de busca para o que é mais valioso na vida, e que provavelmente nunca terei.

Pausa. Vento. Vácuo. Vento…

A morfina que ilude minha capacidade emotiva é forte, mas parte da desgraça em que minha vida se tornou colabora para com isso. De certa forma, eu assisto essa falta de “sentir”, de forma consciente, pois mesmo sabendo que não sentirei nada, prossigo com a jornada que sei, acabará com um final nada feliz. Mas as vezes penso, o que importa realmente é o final, o começo ou a jornada? Quando acabo, vejo que tudo não passou de um mimo meu, e que nenhum dos três me agradou, pois já no início eu previ que seria ruim, na jornada eu não aproveitei pensando no final, e no final acabou como sempre, o que me faz refletir sobre a minha condição humana, e se ela ainda existe, já que analisando minhas atitudes, pareço tão robótico, desligado e fora de realidade.

Vácuo. Vento. Pausa. Pausa…

Fato é, que nada faz sentido, muito menos minhas divagações sobre minha realidade alternativa que contemplo dia após dia, uma realidade que não atinge ninguém, mas que me cerca e afoga como se fossem seres amaldiçoados com o único objetivo de destruir uma vida já perdida no vento, e que conforme pausa, o tempo não corre, mas a tristeza escorre junto dos fluídos vazios que viveram dentro de mim, restando apenas um vácuo, perdido no espaço-tempo, se tornando praticamente no mesmo ser que ali habitava, só que desta vez, sem toda a carne que o fazia humano e detestável, agora é apenas aquilo que é, e ninguém pode entender ou perguntar, a resposta sempre ficará no ser, que mesmo mutável, permanecerá com a mesma essência e com várias pausas, pausas temporais, pausas espaciais, pausas insignificantes, pausas que mudam vidas.

De:Igor Frederico

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