O incompreendido
09/02/2012
Não me lembro de nada, só da causa perdida, da perda que sofri, do vazio que me tornei. As vezes penso que sou um grande vazio envolto de uma grande capa de pele e órgãos, pois nada do que acontece me afeta, aparentemente, talvez eu seja um sociopata, ou talvez eu seja apenas um cara confuso. A verdade é que independente do relacionamento que eu tenha, eu machuco alguém e saio ferido, só que anestesiado. E essa anestesia é forte até de mais, parece anular todo o meu potencial vital, e me transforma em uma espécie de zumbi do amor, algo próximo de alguém que quer amar, não consegue, mas continua insistindo, inerte, sem evoluir ou modificar, apenas prossegue com a jornada de busca para o que é mais valioso na vida, e que provavelmente nunca terei.
Pausa. Vento. Vácuo. Vento…
A morfina que ilude minha capacidade emotiva é forte, mas parte da desgraça em que minha vida se tornou colabora para com isso. De certa forma, eu assisto essa falta de “sentir”, de forma consciente, pois mesmo sabendo que não sentirei nada, prossigo com a jornada que sei, acabará com um final nada feliz. Mas as vezes penso, o que importa realmente é o final, o começo ou a jornada? Quando acabo, vejo que tudo não passou de um mimo meu, e que nenhum dos três me agradou, pois já no início eu previ que seria ruim, na jornada eu não aproveitei pensando no final, e no final acabou como sempre, o que me faz refletir sobre a minha condição humana, e se ela ainda existe, já que analisando minhas atitudes, pareço tão robótico, desligado e fora de realidade.
Vácuo. Vento. Pausa. Pausa…
Fato é, que nada faz sentido, muito menos minhas divagações sobre minha realidade alternativa que contemplo dia após dia, uma realidade que não atinge ninguém, mas que me cerca e afoga como se fossem seres amaldiçoados com o único objetivo de destruir uma vida já perdida no vento, e que conforme pausa, o tempo não corre, mas a tristeza escorre junto dos fluídos vazios que viveram dentro de mim, restando apenas um vácuo, perdido no espaço-tempo, se tornando praticamente no mesmo ser que ali habitava, só que desta vez, sem toda a carne que o fazia humano e detestável, agora é apenas aquilo que é, e ninguém pode entender ou perguntar, a resposta sempre ficará no ser, que mesmo mutável, permanecerá com a mesma essência e com várias pausas, pausas temporais, pausas espaciais, pausas insignificantes, pausas que mudam vidas.
De:Igor Frederico
ponto triplo
06/06/2010
E sim, eu era muito amigo dela, mas ela nunca demonstrava nada, então eu também nunca tentava nada. Então naquele belo dia, ela se aproximou daquele outro cara lá no trabalho e começou a bater papo, daí eu sabia que eu não tinha mais chance.
Mas cara, como você poderia saber, talvez ela estivesse apenas conversando com o cara.
É, mas e o beijo que rolou depois? Nem venha dizer que ela só queria conversar, cara eu nunca tive chance, nem quando eu e você achávamos que eu tinha, foi apenas coincidência aquele dia.
Que nada tonto, coincidência uma ova, você ta querendo me dizer que tudo aquilo lá foi apenas coincidência é? Para com isso cara.
Velho, tava óbvio de mais que ela apenas se enganou e acabou lá, nada mais. E eu todo besta tentei puxar conversa que nem bêbado chato, se bem que pelo menos depois disso agente começou a se falar sempre né? Mas sei lá cara, eu nunca tive chance, nem nesse dia ai.
É cara, talvez sim, talvez não, não da mais pra saber, você não se mexeu, não demonstrou o que sentia, e agora ta aqui, chorando pra mim que não tenho nada a evr com a história, ao invés de estar do lado dela, a beijando, a acariciando e quem sabe a amando?
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Sabe aquele menino lindinho que trabalha lá na empresa? Acho ele tão fofo, sabe, ele não é grosseiro com as mulheres, trata todo mundo com educação, nunca parece estar triste, ele até me anima, de certo modo ele tem um brilho que me deixa tão indiferente com as coisas… sim,sim, ele é tudo isso, mas eu não sei se ele gosta de mim, ele sempre parece demonstrar, mas quando estamos sós ele sempre vira o rosto e não me diz o que realmente sente,se é que sente, mas eu não sei, tem um outro carinha de lá que vive dando em cima de mim, e ele é bonitão sabe, não é nem de longe tão fofo quanto ele, mas é muito mais pra frente, e isso me atrai de mais em um cara: atitude.
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Cara, to pegando mó gostosa, tu nem imagina quem… não, não, aquela gostosa que trabalha em frente a empresa… isso,ela mesma. Porra, cê nem imagina como é na cama, puta safadona, faz de tudo cara, até eu fico assustado as vezes. Mas o que importa é que ela foi muito fácil, eu só precisei distraí-la enquanto falava dum idiota qualquer lá do trabalho que consegui arrancar um beijo e bem, o resto você já sabe como funciona, afinal, faço isso com todas, nem precisa falar o quão geniais essas mulheres são né cara?
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de Igor Frederico
De Longe…
06/01/2010
Tchau, nos vemos por ai.
Por ai não, o senhor pode tratar de ir me visitar até o fim do ano! Se não é um homem morto!
A minha reação foi bizarra, pois fiquei em choque, nunca a compreendi, pelo menos não até ali, e mesmo assim, acredito que nunca a compreenderei. Mas minha reação se estabeleceu mais e pelo fato d’ela ter um namorado e mesmo assim agir daquela maneira comigo, na minha concepção, só exigem visitas dessa maneira amigos, familiares ou namoradas, e como ela não era da minha família e também não a definia como amiga, só imaginai que pudéssemos ser namorados, mesmo sem ter tido um beijo sequer ou troca de carinhos. Claro que tudo fazia parte da minha imaginação e as minhas feições traduziam, assim mesmo o que eu achei daquela única frase e que me fez ficar de queixo caído embasbacado com a exigência. Porque ela me exigiria uma visita?
Depois que ela entrou na vã e foi em direção à sua cidade comecei a pensar melhor e a refletir mais sobre a frase e descobri que era uma das três alternativas realmente: ela me considerava como amigo, claro, porque não? Mas eu via problemas nessa situação de amizade. Pra começar, quando estávamos juntos, isso quer dizer no mesmo local, o maior desejo que eu sentia era de puxá-la por um braço e beijá-la, apenas um beijo, poderia ter um final triste depois (eu levando uma bofetada na cara) mas valeria a apena. O que me angustiava na idéia era: ela corresponderia? Ela corresponderia mesmo estando com um namorado em outro lugar?
Enfim, não a beijei não só por ter respeito a ela, mas também por não acreditar em mim mesmo, o que deve deixar tudo mais claro. Mas o tempo muda como uma folha de chá (péssima comparação), e depois de algum tempo, ocorre o incidente: ela não tem mais namorado. Pra qualquer um seria um viva, mas tirei duas conclusões: ela mora muito longe e está se tornando muito minha amiga.
Começo e me destorcer por dentro e penso se ela seria realmente muito melhor como amiga do que namorada ou que for. Nossa amizade crescera tanto após sua partida, que nos comunicando por cartas mantivemos contato e amizade por um grande periodo de tempo, ate telefonávamos um para o outro quando algo acontecia, o que no momento em que ela pronunciou : “não estou mais com ele” me fez ser tomado pelo mesmo aglomerado de sentimentos que senti quando ela pronunciara a frase inicial de todo conflito. Só que desta vez tudo piorou, eu comecei a gostar mais dela, só que uma amizade tremenda havia tomado o meu coração e não sei se conseguiria pedi-la em namoro, o que sempre quis desde o momento que a vi.
e o fim do ano foi chegando e as minhas festas preferidas se aproximando, e mal podia esperar para vê-la. Meus pai marcaram de viajar para a cidade dela, que é a mesma onde este nasceram e cresceram. É uma coincidência que me satisfazia até o último membro do meu corpo. Mas por maior vontade que eu estava de ir lá, claro que unicamente só pra vê-la (havia pensado nela esses últimos dias mais do que o ano inteiro), tinha um pouco de receio me fazendo respirar um pouco mais devagar e refletindo mais e mais sobre o assunto infeliz que não me largava.
Viajem.
Já à uns dois dias na casa de minha tia, irmã de meu pai, começo a me sentir desconfortável, pois segundo ela, ela mora em um bairro do outro lado da cidade (isso em relação ao bairro da minha tia) e tinha me dado o endereço até, só que não sei nem o da minha casa, imagine o de outra cidade. O único jeito de chegar seria de carro e com alguém que conhecesse a cidade. Tudo parecia coisa divina, meu primo chegou dias antes e estava com o carro de sua mãe, e descobri que uma semana antes de viajarmos minha querida da mãe resolve falar que tenho uma espécie de “rolo” com alguma moça da cidade e conta pra minha tia que conta pro meu primo que vêm até mim quando peço pra me levar `um lugar e pronuncia: “Pra encontrar a mina?”
Daí pra frente foram um festival de perguntas maravilhosamente dignas de pessoas que não se mostram de verdade: “ela é gostosa?”,”você vai pegar né?”, “se não quiser, eu tô aqui”
Mesmo sendo palavras consoladoras (pra um jogador de futebol), eu desisti de pedir que me levasse, mas a angústia se perpetuava por toda minha cabeça e me deixava cada vez mais fraco do coração com um aperto quase nostálgico que me fazia sentir algo que misturava arrependimento com culpa e depressão por não ter ido visitá-la ainda.
Não tinha como nos comunicarmos, não tinha telefone em minha tia, não havia ninguém decente pra me levar até ela, e não havia mapa para seguir até lá. E depois de mais uns dopis ou três dias fui embora e desisti da busca. Talvez eu não mereço ela, talvez por que eu nem me esforcei ao máximo pra conseguir vê-la, nunca me perdoarei, pois acredito que estou deixando para trás uma pessoa que possivelmente seria a que eu mais amaria nessa vida e mesmo assim não peço para que parem o carro, não faço nada, a não ser ficar impotente diante da situação.
Após o retorno me deparo com minha vida normal e uma única carta dela. Demoro uma semana para abrir. E quando resolvo, estou meio louco acho, e mesmo assim decido ler. E com apenas uma única frase ela conseguiu com que a amasse para todo o sempre mesmo não podendo vê-la ou não ter lutado por isso, e essa frase nunca será esquecida por alguém que acredita ser infeliz:
“Eu te perdôo”
de Igor Frederico
alien nação
06/01/2010
- Mas agora o que faremos?
-Sei lá.
-Acho que agente já fez tudo né?
-É,acho.
-Que tal morrermos?
-Agora?
-É!
-Então tá.
Morreram.
- E agora? O que a gente faz?
-tenta arranjar uma maneira de voltar a vida.
- O que filho da puta???!!
-Ué, pelo menos assim agente vai ter o que fazer.
- Você me fez morrer pra depois voltar a vida sei lá como e ainda não tem nem idéia do “como”?
-Basicamente.
-A ignorância é uma benção pra felasdaputa que moram no inferno.
de Igor Frederico
Monólogo
05/01/2010
Durante aquelas festas de pessoas na aceitação amorosa, ambiente quase alucinógeno pelas luzes que tomam conta do salão de dança, estava eu, sentado em uma das mesas mais próximas do palco que se encontrava o tal responsável pelas músicas. Conversava com meu amigo, porém meus olhares sempre se voltavam às pessoas que nos rodeavam: mãos dadas, abraços, beijos. Aquela situação alienada de dois jovens que se desconhecem pessoalmente e sentimentalmente, porém ainda assim continuam a se tocarem, se beijarem, encobrindo muitas vezes o significado de amor. Sinto-me no lugar errado, tenho vontade de ir embora e abandonar alguns de meus amigos, mais preocupados com a garota mais dada e com a de saia que dança em cima da caixa de som. Digo que vou ao banheiro, e então a vejo: resplandecente iluminar no canto escurecido azul, alternando ao amarelo e o vermelho vindo da abóboda celeste que nos cobre. Morena de olhos escuros, pele branca, cabelo que cobre os olhos, ilustrados por uma franja diagonal. Belíssima, tão doce e sozinha, somente acompanhada por uma amiga ocupada com os requintes que uma balada pode oferecer. Fiquei estabilizado, e no meio da anarquia senti-me silencioso e apaixonado. Tornei a me sentar, e passei a observar a doçura sintetizada à pele humana, com traços suaves e belos. Meu amigo me chama, e sou obrigado a olhá-lo por breves segundos. Quando torno meu olhar à minha amada, ela já não está mais lá. Dei um impulso da cadeira, circulei meu olhar ao redor, procurando aquela que me faz bem, e nada encontro. Passeio pela pista de dança, mas só o que vejo são pessoas delirando com a música, ou então desfrutando dos prazeres do beijo. Estava enlouquecendo, precisava a encontrar o quanto antes – meu coração disparava. Finalmente a havia encontrado, desta vez em outro canto do salão, novamente com a companheira distraída. Pensei que abordá-la, mas senti-me pequeno perante sua magnitude. Logo, apenas observei. Observei por muito tempo, até perceber sua ida. Acompanhei-a por todo o longo trajeto, nunca desistindo dela. De repente a perco e, por uma fração de segundos, atordoei-me como num pesadelo sem fim. Olho direção à saída da festa, e a vejo deslizando pela rampa que segue da porta de vidro. Momentos perdidos por minha vergonha e falta de caráter, sabendo que nunca mais irei encontrá-la novamente, acima de tudo.
Por Luiz Coutinho.
O Abraço
16/12/2009
E no fim de um dos dias mais felizes de sua vida ele teve que se despedir dela e por isso um vazio se infiltrou em seu peito na forma de uma dor que não conseguia explicar nem pra si mesmo.
E como era uma despedida, normalmente abraços são concedidos, mas ele não pôde conceder um único e simples verdadeiro abraço à ela por não conseguir expressar o que realmente sente.
Depois da despedida e do abraço sem graça o que se infiltrou nele foi para um local mais específico no peito, onde batidas soam de minuto em minuto, e que deixara uma questão em sua mente:
“Será que a perdi pra sempre?”
de Igor Frederico
E veio a mulher de seis dedos
07/12/2009
Acordei.
Fussei um pouco o pc.
Fui tomar banho.
Meu pai me deixou na escola.
Entrei na sala pra fazer a maldita primeira parte do ENEM.
Faço algumas questões com certeza plena, outras chuto descaradamente.
Terminei um pouco antes do horário de pegar o caderno.
Esperei o caderno e meu amigo.
Fomos para a rodoviária.
Avistei uma amiga que não via a muito tempo no caminho, e como estava morena, não me lembrei, mas fiquei com uma sensação de deja vú do caralho.
Esperei um pouco o Ônibus.
Entrei no ônibus a frente de um canhão tagarela.
Fui para o fundo do ônibus com meu amigo.
A tagarela nos seguiu.
A tagarela falou da sua vida em voz alta.
A tagarela falou que teve uma centena de homens vagabundos e que não ia mais se meter com eles.
A tagarela não sabe pensar, só falar.
Ela é negra, gorda, feia de lascar e consegue se vestir pior que um cachorro mimado pelos donos.
Até aí, só consigo observar essas características.
Só que momentos antes dela descer em seu destino – que é óbvio, não sei ainda – observo algo asqueroso e perturbador (para mim, pelo menos)
A mulher tinha seis dedos!
SEIS!
Que sem querer ao me virar olhei para ela segurando o poste do ônibus e desci os olhos por sua mão.
Comecei a observar sua mão – sempre faço isso, fiquem espertas – pelos menores dedos até chegar em seu dedão, ou devo dizer, dedões, afinal tinha dois ali.
O que era pra ser apenas um dedão feio, eram dois dedões absurdamente feios. E nojentos.
Não dá pra descrever, pois olhei uma vez e quis esquecer aquilo, minha sorte é que imediatamente ela mudou a mão de lugar de modo que eu não conseguia enxergar mais aquela mutação.
Ela desce do ônibus.
Todas gritam “amém” em suas mentes, com exceção de uma mulher que descera no mesmo local que ela que deixou escapar – acho que propositalmente – uma espécie de “putaquepariu”.
O silêncio toma conta do ônibus. E seis dedos de minha mente.
de Igor Frederico
Avante! – Os cavalos gigantes
02/12/2009
E no meio da viagem, no meio de um lugar deserto com apenas árvores envolta, no meio de um negrume atemorizante, o meu carro fez o favor de furar um dos pneus. Claro que sempre fui precavido e carrego dois steps no porta malas. Claro que abre a porta na maio tranquilidade e fui apenas desconsolado – sou muito preguiçoso cara – arrumar a merda do pneu furado. Abri o porta-malas.
Pronto.
Não tinha nada naquela merda. NADA! Nem uma merda de step, nem uma borrachinha sequer, nada, nem o forro da porta estava lá. Claro, que um cara prevenido nunca fica nervoso. Debaixo do banco de trás eu também levava um step e fui logo conferir se estava lá, claro que seja lá quem for que roubou meus dois amigos do porta-malas não saberia desse do banco.
Pronto.
É a parte em que começo a suar. Cara, não estava lá, nem o banco de trás! Como a merda do banco poderia ter sumido? E sim, não levo bancos de trás no porta malas. Tudo bem, posso esperar até que alguém passe e me ajude, claro que não confio em ninguém que passe em estradas desertas no meio da noite, mas sou prevenido por de mais e carrego um pedaço de tora debaixo do meu banco, ao lado do segundo extintor.
Pronto.
Já se passaram duas horas e estou aqui, sem nem poste pra iluminar, com um pneu furado e um banco desaparecido. Maravilha. Um banco desaparecido, a ultima vez que ouvi um caso de banco desaparecido eu nem tinha nascido ainda. Maravilha! Tá, se eu falar pra vocês que animais, insetos e principalmente coisas que saem no meio do mato na escuridão me fazer chorar de medo vocês entenderão né? Resumindo, o mato se mexeu, caguei, saiu uma espécie de lagartixa pulei pra dentro do carro e fechei a porta.
Pronto.
Não mencionei que sempre saio do carro segurando as chaves, e nunca as coloco no bolso porque tenho medo de que ele fure e a chave caia e suma em algum lugar. Por isso sempre as seguro e quando o ser cabuloso saiu do meio do mato do outro lado da rua e eu me caguei e entrei no carro o mais rápido que pude deixando as maravilhosas chaves caírem e como o desespero e a caganera apertaram fechei a porta na tensão e nem notei as chaves. Mas logo depois da primeira suspirada vi que o pino da trava da porta sumira e que a maledita não abria mais.
Pronto.
A outra porta só abria se o pino da minha estivesse em pé, ou ao menos estivesse lá. Os vidros, pra minha sorte e por sempre prevenir que uma coisa dessas acontecesse algum dia, não eram elétricos. Então vi uma luz lá atrás se aproximando, não pensei como todos pensariam “GRAÇAS A DEUS”, porque, além de estar cagado e não querer que ninguém me visse ou cheirasse nesse estado, eu nunca confiem em pessoas que param no deserto no meio do nada a noite e sem nenhuma luz iluminando e ajudam as outras que estão precisando de assistência. Mas gente, eu sou um cara que está dentro de um carro onde só as janelas funcionam e que nem banco traseiro oferece mais. Tenho que fazer algo né?
Pronto.
AQUI! AQUI
Cara, pra que gritar no meio de uma rodovia “AQUI”? Não estou em um naufrago preso em uma ilha onde apenas os aviões passariam e me fariam gritar dessa altura, mas enfim, eu estava muito desesperado. A luz se aproximou mais, e mais, e mais, e foi se tornando estranha e se parecia cada vez menos com um farol e começou a subir e vi que saia de trás de uma figura esférica e que, putaquepariu, tenho que dizer, pois foi o que vi, percebi que era a merda de um disco voador! DISCO VOADOR?!
pronto.
E eu gritando. Realmente. Tudo estava perfeito, até, que do disco saiu uma luz e me sugou pra dentro! Eba, que original! Aliens sequestrando humanos. PORRA! Entrei na nave e tinha um monte de mulher gostosa e não consegui ver nenhum homem de prima, mas duvidei muito que não tivesse nenhum ali. Tudo bem, sempre achei que ao ser abduzido por um disco voador agente ficasse inconsciente e parasse diante de uma mesa gelada onde eles abriam a gente e faziam experiências ou sei lá, trocavam nossos cérebros pelos das vacas, algo no estilo. Mas não, me deparo consientizinho da silva diante de uma penca de mulher pelada e que nem verde eram!
Pronto!
Daí pra frente não posso falar o que ocorreu. Fui proibido, mas afirmo pra vocês que meu carro e minhas chaves nunca mais me importaram. Realmente, ser abduzido muda a gente. Sei disso e espero que você também saiba, pois é uma das melhores experiências da galáxia! Claro que não vou te prevenir que as mulheres se transformam em cavalos gigantes depois de meia hora que você as apalpa, mas você um dia descobrirá que uma noite desgraçada talvez só piore.
De Igor Frederico
A sós – tentar é preciso?
01/12/2009
E estreando meu primeiro conto com desenhos de minha autoria, ai vai.
E ele já estava sentado ali, naquele banco do metrô a um tempo que nem eu posso determinar. Ele estava de cabeça baixa, enquanto todos os vagões do transporte pareciam estar vazios. Essa sensação vazia percorria todo o trem que transmitia uma impressão fantasmagórica. Apenas ouvia o chacoalhar e os barulhos de quando ele passava pelos túneis escuros como se a morte sempre o visitasse quando ele completava esse ato.
Não saberia dizer a que horas isso acontecia, só posso dizer que o garoto estava lá, sempre de cabeça baixa e nunca a olhar para qualquer que fosse a direção. O tempo é interessante, se visto dessa maneira. Talvez para o garoto apenas segundos o separava do mundo la fora. Para qualquer um, horas os engoliria até reclamarem de qualquer coisa que fosse e saíssem do metrô.
Só que estamos falando de um veículo público, onde pessoas entram a todo instante, pessoas altas, gordas, magras, negras, ruivas, feias e é claro, bonitas. Como o garoto parecia querer algum tipo de isolamento, talvez tenha ficado com raiva ou frustrado por ouvir passos após a parada e o abrir das portas automáticas. E finalmente pela primeira vez, ele ergueu sua cabeça coberta por um capuz de roupa de frio, e olhou para o lado de onde veio o barulho ritmado dos passos.
Os passos vinham de um sapato alto simples, sem muita extravagância a oferecer. No decorrer destes sapatos tínhamos uma perna que logo seria coberta por uma espécie de bermuda jeans e que logo mais ao alto estaria coberta por uma jaquetinha pequenininha de cor roxa e que tinha uma gola enorme que parecia não proteger ninguém de frio algum. O mais interessante vinha a seguir, além de um pescoço maravilhoso os queixos, a boca, os olhos, as sobrancelhas e o cabelo que cobriam todo aquele corpo lá do alto eram as coisas mais bonitas que o nosso garoto vira em vida.
A maravilhosa moça caminhou até o seu lado e sentou em um banco a dois do dele. Como estava a sua esquerda ele podia observá-la pela visão periférica que ele aguçara com os anos por nunca olhar diretamente para mulher alguma que fosse. A moça de certo mexera com ele. Claro que ele manteve-se imóvel no momento em que ela sentou, mas tudo que veio a sua cabeça ele jamais tinha sentido por ninguém vivo.
Ele queria se levantar e falar com ela algumas palavras galantes como James Bond sussurrava para suas conquistadas em filme como Goldfinguer, mas não conseguia pensar em nada. Ele queria ter um corpo mais ou menos do jeito que Brad Pitt possuía em clube da luta, mas inflamou seus pensamentos tristes e negativos por não o ter. Queria estar usando as roupas que Tom Cruise usava em Vanyla Sky, mas não as tinha. Depois de debater consigo mesmo o quão incapaz seria de falar uma palavra que fosse com a moça, ele respirou fundo, e virou a cabeça de maneira a poder vê-la diretamente. Ele ainda se espantava com a extrema beleza da moça e martelou consigo mesmo do porquê de não ter as qualidades pensadas. Depois da olhada brusca que deu a ela, ele se virou lentamente, deixando a impressão de que ela fosse apenas mais uma pessoa e se recobriu com o capuz novamente.
A moça tinha se mexido lentamente ao ver ele se virar para ela, mas talvez ele não tenha notado. Após alguns instantes, que dessa vez sim, pareceram horas, a porta do compartimento se abriu e a moça levantou e saiu. Talvez tenha dado uma última olhada no garoto esperando alguma reação, talvez não. Ele nunca soube. E nunca saberá. Mas é claro que ela podia ter sido grossa com ele ou pedir para nunca o ver, ou chamá-lo de tarado ou coisa parecida. Talvez isso importe mais do que apenas tentar.
de Igor Frederico
Sentei por um instante na escada. Meus pensamentos não existiam mais. Estava apenas sentado. Nem sabia o que significava essa palavra, sentado. No instante eu apenas fiquei ali enquanto pessoas passavam subindo e descendo, eu estava ali apenas por estar ali. Acho que é mais difícil não pensar em nada do que pensar que estou pensando em nada. O nada é algo inexistente ou apenas um vazio que existe?
Como não consegui pensar em nada apenas por já estar pensando em pensar que estou pensando em nada decidi me levantar e andar sem compromisso também, apenas andar. Bem, não consegui me concentrar em nada pois alguma menina linda, com umas pernas tremendamente excitantes e um bumbum maravilhoso estava se esfregando com uns cinco ou mais meninos enquanto dançava aquele maravilhoso estilo que chamam de “funk”, eu particularmente prefiro “fuck”.
Não sei, as pessoas me desconcentram. Estava tentando pensar em nada e já estou com a imagem daquela criatura maravilhosa que prefere se esfregar em um monte de animais do que ler alguns livros pra poder ter uma conversa legal com um cara como eu. Não que isso seja desdém da minha parte, até porque não leio muito, mas prefiro conversar com um ser que ler mais do que eu do que um ser que gosta de se esfregar em um monte de animais ouvindo uma música (?) que a chama de “vadia”.
Mas as vezes me acho desconexo disso tudo. Talvez por isso queira pensar em nada, pra me juntar a essa grande massa. Mas quando penso em algo percebo que não me encaixo e que isso é bom, porque, a meu ver, são todos animais inúteis nesse nosso sistema fracassado e hipócrita. Os pensamentos desses animais são irracionais mesmo, são coisas como: “vou trabalhar, me sustentar, casar, ter filhos, ver novelas, ir a igreja e morrer em paz”. É um pensamento racional? Pensar o que já foi pensado? Pensar o que todos pensam? Pensar? Racionar? Todos?
Por isso pensar nada, às vezes é pensar tudo, pois muitos pensam coisas pensadas que de certa forma não são “nadas”, o que faz com que “nadas” não sejam pensados e por isso acabem por ficarem inutilizados e sem um objetivo real. Daí, busco o maior pensamento em nada que existe, pra ver se assim consigo uma redenção por já nascer pensado em meio a um pensamento que não me leva a lugar algum no mundo que sonho, mas leva a todos os lugares no mundo sonhado e que já está pronto.
A prontidão do pensamento contemporâneo da sociedade em que vivo é tamanha que não vivo, pois eles estão mortos e eu de certa forma também, por estar misturado com eles. Não me destaco tamanho o número de indivíduos inconsistentes desse sistema. Não quero ser um Deus, só quero ser apenas um “não eles”. Eu tenho nojo de mim por querer ser diferente e talvez for taxado de prepotente por isso, mas a única coisa que quero é não ser um animal, e quero ter toda consciência do mundo. Mas isso, é claro, é improvável, o que não significa impossível.
Sempre quis matar alguém. Não por ser um ser cruel, mas sim, por ser um ser. Vivo pensando nessa possibilidade e sempre acho que as pessoas todas, devem matar uns aos outros como fazem mentalmente. Pois matar deve ser o sentimento mais real que alguém deve sentir. E remorso por isso não existe. As pessoas fingem sentimentos como esse, pois seus pais ensinaram que ficar triste depois de uma cagada os fazia ficar com dó de você e te perdoavam. Acredito que as pessoas gostam de se matar e ainda mais de verem se matando. Se não, não teríamos na Bíblia tantas mortes. E olha que é um livro sagrado. Morrer faz parte do ser e matar também. Quem vive sem a morte não sabe viver. E quem morre sem viver não reagiu a nada em vida.
Penso nisso tudo apenas porque vi essa gostosa se esfregando em cinco putos que não sabem o que significa “arte” e talvez seja , por eu não poder ser um deles e ser pensado. Por isso o pensamento de ser pensado me remete tanto se é bom ou ruim, Ruim é um fato, mas tem seus benefícios, como se esfregar em gostosas que não sabem ler e não se importar com isso pois também não devo saber. A grande questão é: Vou morrer feliz por ter consciência de que minha vida é uma desgraça enquanto eles morrem sem consciência de que a vida deles é uma maravilha e também felizes?
Acho que a questão não é morrer, mas sim viver sem pensar na morte. O que é uma tristeza pra alguém como eu que só pensa nisso. Feliz eu só sou quando encontro um fim para meus pensamentos e agora não estou pois vou terminar esse sem um fim e remeterei a infelicidade do porque não ter conseguido. Mas é sempre importante um fim? Ou será que é só pra mim? Finais estão em toda parte, mas sem eles as coisas também acontecem, e com eles as vezes não. Bom, vejo que não cheguei a lugar nenhum mesmo, e vou continuar a pensar em nada, ou pelo menos tentar, enquanto essa bunduda me excita mesmo sem eu achá-la inteligente, talvez porque a racionalidade seja inexistente quando se trata de seres vivos, até os racionais que não utilizam desse bonito nome para se formarem conscientes. Só tenho é que continuar a viver sem saber aonde meu fim chegará como nesses pensamentos inúteis que tenho sem nexo e por apenas ser infeliz.
de Igor Frederico
Cheguei na hora do intervalo e sentei um pouco distante dela, mas a sua frente. Ela estava com suas amigas, sentadas no chão mesmo. Talvez por isso não senti insegurança ao sentar no chão também. Tirei um livro qualquer que tinha na minha mochila e tentando não parecer desajeitado abri-o e fingi estar lendo. De vez em quando, ou quase sempre, eu dava umas olhadas para o local onde ela estava com suas amigas. Mas sempre que ela retornava o olhar pra mim, eu desviava. Não queria parecer um tarado.
Gosto dela desde que aprendi o que é “c” cedilha. Ela nunca soube, claro. Não há necessidade dela saber. Ou há? Acho que não, porque ela é muito bonita, tem vários amigos e sempre saiu com caras fortes ou bonitos. Não me acho bonito e é um fato que não sou forte. Portanto onde mudaria a vida dela saber se um cara como eu gosta dela ou não? Acho melhor eu apenas gostar dela, assim sei que sempre vou compreendê-la, mas tenho a certeza de que ela nunca me compreenderá.
Ás vezes acho que ela me olha,e deve pensar o porque que eu estou ali lendo um livro ao invés de ir falar com ela. Mas ai caio na real e percebo que é muito egocentrismo de minha parte. Ela acabou de me olhar, agora tenho certeza, pois ela falou alguma coisa para as amigas e todas caíram na gargalhada. Sei que foi sobre mim, de como devo ser patético ou como devo ser feio. A minha vontade foi de levantar dali já. Mas não o fiz porque acho que seria meio suspeito sair assim na hora e sei que elas perceberiam e falariam ainda mais sobre mim. Portanto fico sentado e sem expressar nada do que senti viro a primeira página do livro depois de dez minutos passados sentado ali.
Após um tempo, decido me levantar. Sei que foi uma má idéia ter ficado ali, tão próximo dela. E bem no momento que abri o zíper da bolsa meu melhor amigo chega e começa a falar coisas altas que me envergonham perante a ela, e nesse instante não sei se enfio minha cabeça na mochila ou se finjo ser igual a ele.
-E ai safado, beleza?
-Sim, sim. – Tento ser neutro.
-Tu olha tanto assim pra onde? Haaa saquei, saquei. Mina linda hein cara?
Não consegui entender. Como ele, meu melhor amigo não sabia que eu gostava dela? Como ele só a notou agora? Como? Uma enxurrada de questões veio até mim.
- Vamos lá falar com ela!
Me puxou com tanta força que não pude evitar, ou melhor dizendo, toda a vontade que eu senti a vida toda de ir falar com ela não resistiu ao puxão e levantou meu corpo. Arrastado, mas sem sentir nada cheguei o mais perto que estive dela. Não tinha coração mais. Minha barriga estava tão gelada que eu senti um enjoo estranho. Suei gelado. Não consegui olhar pra ela. Não de tão perto. Meu amigo foi logo direto. Chochichou algo em meu ouvido:
- vou pedir pra ela ficar com tu.
-NÃO!!!
Isso elas ouviram.
-Ok. Meninas, como vão? queria apresentar vocês ao meu amigo.
Ainda não olhei pra ela. Olhei para as amigas.
-Oi.
Sim. Minha cabeça estava baixa. Acho que elas estão pensando que sou um bocó ou coisa parecida.
-Ele te acha bonita sabia?
-Sério?
-Sim, sim, não é?
Não respondo.
-Fala pra ele que também acho ele muito bonitinho.
Ela sorri.
Não. Não pode ser. Os caras com quem ela sai são muito mais bonitos que eu. São muito mais populares. Não acredito, e saio. Sim, saí dali, deixando apenas meu amigo e as meninas inclusive ela me achando um louco. Eles não me entendem. Não sabem que o que sinto por ela sinto desde que não me lembro e não sabem que sou muito tímido. Talvez meu amigo saiba, mas já esteja cansado de sempre me ver desaparecer quando vai me apresentar a garotas. Mas elas nunca entenderão que sinto medo de conversar com elas. Nunca perceberão isso. Porque todos os outros homens que saem com elas agem em relação a isso de uma maneira que eles nem sabem pois nem sabem o que é isso.
Passada uma semana. Descobre por meu amigo, que ele ficou com ela naquele mesmo dia. E que tinha que me contar, pois ela estava gostando dele. Sou muito infeliz, e isso não piorou as coisas, mas as fez estacionarem. Sim. Sou infeliz porque nunca consegui falar para a menina que ais gosto desde sempre que gosto dela. Não há uma relação social entre duas pessoas se uma não se relaciona socialmente. E acho que depois dela ter ficado com meu amigo eu apenas não sentirei mais nada. Sim. Não sinto mais cheiro de nada, nem vejo as cores de nada, nem rio verdadeiramente com nada. Nem sinto felicidade. Sinto que perdi meus sentimentos porque percebi que não tenho confiança em mim mesmo, a garota que mais me importo no mundo está com meu melhor amigo que só a notou depois que eu sai correndo w não tive coragem de falar o que sinto pra ela. Não me importo de ter levado uma espécie de fora. Não me importo se é meu melhor amigo. Me importo comigo antes de mais nada, e sendo assim percebi que sou mesmo uma cara sem sentimentos, ainda mais depois de perceber que sou um cara assim.
Enfim. Continuo falando com meu amigo e não falando com ela. Mas não sinto mais o que sentia por ela. Sou um verdadeiro amigo, pois nunca falei pra ela que ele trai ela. Mas sou um péssimo amigo, pois nunca falei pra ela o que ele faz com ela. Apenas estou inerte do mundo. Tentando sentir algo. Buscando alguém que me compreenda. Mas acho que vou morrer sentindo nada, apenas sabendo que não sinto nada. E apenas comendo areia vinda do nada.
de Igor Frederico
Dias Chuvosos
16/10/2009
Chovia muito quando a vi pela primeira vez.
Eu, sentado numa mesa perto da janela, observava a chuva lá fora.
Foi aí que ela entrou.
Sentou-se no balcão, apoiando a cabeça nas mãos.
Eu não conseguia tirar os olhos dela.
Amor a primeira vista? Não acredito.
Uma inegável atração? Certamente.
Perguntaram se ela queria alguma coisa.
“Pensar!” – ela disse – e se mudou para uma mesa mais ao fundo.
Tentei esquecê-la.
Tentei prestar atenção no café sobre minha mesa.
Tentei voltar a observar a chuva lá fora.
Mas só tentei.
Mudei para uma mesa ao lado dela.
Por um tempo a observei sem problemas.
Observei como se fosse uma pintura, um quadro.
Até que seu olhar encontrou o meu.
Perguntou o porquê de tal interesse.
Não pude dizer a verdade, não poderia dizer “uma inegável atração”.
Ou poderia?
Disse qualquer coisa, só para iniciar uma conversa.
Conversamos sobre muitas coisas.
Conversamos sobre como ela estava molhada de chuva.
Sobre como eu – mesmo sempre andando por aí – estava sempre seco.
Sobre como a chuva sempre esteve forte para nós.
Sobre como a chuva lava as ruas, muda o tempo, e afoga os desprotegidos.
E sobre como a odiávamos.
Conversamos até o silêncio nos encontrar.
Agora, silenciosamente, nossos olhares se encontravam.
Dessa vez ela sabia o porquê do interesse, mas disse que tinha que ir.
Perguntei o porquê.
“Não sei, talvez sejamos como a lua e o sol, como o céu e o mar.” – disse ela.
Nada mais fiz.
Só fiquei ali.
Eternamente seco.
Observando ela.
Eternamente molhada.
Sumir no horizonte.


