Screens: Repulsa ao Sexo
17/07/2010
Repulsion, 1964 – Direção: Roman Polanski – Elenco: Catherine Deneuve, Ian Hendry, Yvonne Furneaux.
Um dos filmes mais soberbos da história do cinema, primeiro filma da trilogia do apartamento, Repulsion é ainda, uma marca frequente na filmografia de Polanski: um estudo da origem do mal através do calvário de seu protagonista.
Incrível como o polonês utiliza do cenário dando a ele a condição de um personagem, que ora aparece tranquilo, ora parece sufocar em meio ao seu caos, nós espectadores e a pobre virgem Carol. Cada detalhe daquele apartamento, é um fio de narrativa, de maneira que a mise-en-scène não nos desvia daquela condição.
Deneuve está soberba, e Polanski a filma de uma forma divina, através de expressões corporais e faciais. Tem gente que acusa Haneke de ser muitas vezes unilateral e aprisonador de suas idéias – Fita Branca e Violência Gratuita -, tal conceito cai por terra em Repulsion, sobretudo na dubiedade com relação a tal “repulsa” sexual de Carol, bem como também na discussão sobre a origem da maldade da garota.
E, porra cara, só um gênio como o baixinho polonês saberia usar o som daquela forma, só um mestre como poucos.
Screens – Aberturas Preferidas: Anticristo
02/03/2010
Masculino, Feminino
09/02/2010
Masculin féminin: 15 faits précis, 1966 – Direção: Jean-Luc Godard – Elenco: Jean-Pierre Léaud,Chantal Goya,Marlène Jobert.
Godard e seu amor pelos jovens revolucionários, filósofos e acima de tudo, românticos, cada um ao seu modo, mas românticos. Românticos em qualquer sentido, seja no primitivo da palavra ou em relação as suas idealizações. Masculino e feminino não se passa de mais uma brincadeira audiovisual do gênio chamado Godard, que faz o que quer com suas imagens e sons. O título diz tudo, história sem trama definida onde o foco são os sexos, e como cada um pode agir de forma diferente, independente de ideais, ou de como cada um pode ser vazio e ao mesmo tempo cheio de idéias boas.
Os jovens como o próprio Godard definiu em determinado momento, podem ser classificados como “Os filhos de Marx e da Coca-Cola”. Pensadores pensados que tentam se firmar em uma sociedade sem pensamento individual e que se perde em meio a perguntas complexas ou da própria atualidade. Paul é o pensador mór ali, enquanto as meninas que se envolvem com ele são “pensadas” conscientes. Elas estão ali, sabem o porque, mas não se importam com os acontecimentos do presente (que na época era o Vietnã ou as revoluções socialistas dos operários). Mas em nenhum momento, Godard trata as moças com desdém, passa longe de ser um Chico Buarque, mas as retrata de forma única, e claro, sempre sensual.
Os debates estão presentes a cada minuto, e com a sua forma clássica de filmar os diálogos, que na verdade são a única coisa que movimenta o filme, Godard transforma tudo em uma brincadeira metalinguística quando acrescenta os conflitos revolucionários e o seguimento no cinema (genial, diga-se de passagem). Tudo uma aula de técnica, com angulações de câmera geniais e estáticas, e sempre focando muito os atores em plano único no meio dos diálogos, o que de certa forma, traz mais um ideal de masculino e feminino ao filme, já que cada um sempre têm uma maneira diferente de agir diante de seus próprios debates sensuais.
No fim, Paul se vê firme como um filósofo, mas que está perdido no amor, por amar a garota errada (talvez) e por nada dar certo. A tragédia toma conta da película com sua forma original e única e tudo que Godard quis mostrar durante toda sua proposta de retratar aqueles jovens se define ou cria forma de vez com as últimas palavras proferidas pela amada de Paul: “Ainda não sei. Tenho dúvidas” e repentinamente aparece o letreiro com o “Féminin’ e seu segmento em “fin”, o que não é nada mais do que genial.
4/5
de Igor Frederico
screens:
Onde Vivem os Monstros
09/02/2010
Where the Wild Things Are, 2009 – Direção: Spike Jonze – Elenco: Catherine Keener,Paul Dano,Forest Whitaker.
O que é ser criança? Acho que qualquer um que passou dessa fase responderia essa pergunta bem preta no branco, sem incluir momentos profundos, e trataria tudo com superficialidade. Mas eu não culpo ninguém, pois a maioria passa pela melhor fase da vida e que por mais simples que ela pareça aos olhos de quem não está presente nela, ela sempre é complexa e cheia de nuances. Aqui nesta obra mais que prima de Spike Jonze (sim sua obra-prima finalmente!) tudo está voltado para um personagem, mas não se perde excessivamente de forma clichê ou desnecessária ao focar apenas o garoto, pois a história até que se trata disso, todas as nuances que uma criança pode ter transformada em monstros, ou seja, aqui, todos são Max e Max é todos.
Max e seus monstros são retirados de uma clássica história infantil e tem suas camadas todas abertas no filme de Jonze, o livrinho polêmico vira um clássico para adultos, até porque é difícil para as crianças refletirem sobre os monstros apresentados no filme ou os sentimentos que a toda hora afloram no coração de Max. Agora, o filme é difícil até mesmo para os adultos, e desde já aconselho todos a reverem mais de uma vez e perceberem como tudo é proposital e como tudo que se precisa saber está na introdução que vemos no início do filme.
E é no início que cada detalhe importante para a obra é jogado na nossa cara, mas é claro, como são detalhes provavelmente nós deixaremos passar de primeira. Max é apresentado como uma criança solitária que não tem ninguém na vizinhança para brincar, e como qualquer garoto de sua idade que seja ele quer atenção, mas tem uma irmã adolescente que já passou dessa fase, e está na fase de sair com amigos e se divertir deus sabe-se la onde. Mas Max não entende, e por uma provocação dele em começar uma brincadeira de bolas de neve com os amigos da irmã, acaba tendo seu iglu destruído (de certa forma seu refúgio seguro, ou fortaleza da solidão), o que o faz estourar, pois o iglu tem toda sua importância e isso o faz ficar “fora de controle” e ir ao quarto da irmã e destruir um presente que ele mesmo tinha feito, e é claro molhar todo o quarto da menina.
Antes da chegada da mãe, ele se arrepende do que tinha feito, e fica em seu quarto, onde há um presente de seu pai e um pequeno barquinho, mas o detalhe maio para se notar está na pequena maquete, que aparentemente, fora feita por Max. Nela tudo está como Max imagina, as pessoas estão felizes e vivendo em um mundo próprio. Coma chegada da mãe, ele já contido por uma ânsia de remorso, mostra para a mãe o inferno que fez no quarto, todo triste e quietinho, ajuda a mãe a arrumar a bagunça. Mais tarde, vê que a mãe precisa dele e conta uma história para ela, e a faz sorrir um pouco, o que o deixa feliz. Depois, em sua aula, vê que o professor avisa que no futuro o Sol ficará sem força, e que o sistema todo sofrerá com isso, e na volta pra casa, no carro com sua mãe e irmã em silêncio o garoto se perde em pensamentos de insegurança e medo sobre o que esta por vir, e mesmo assim não abre a boca para as duas.
E o ponto máximo da transição da história está contido no momento em que a mãe de Max recebe seu namorado e quer de certa forma uma folga, e um lazer para consigo mesma, o que nem precisa ser trabalhado com câmera focando ela ou não, tanto que toda perspectiva que temos é a de Max, só vemos sua mãe e o namorado quando Max vê, vemos que ele fica triste quando chama sua mãe e ela da risadas que são abafadas pelos degraus, mas que nos lembra momentos que queríamos atenção e acabávamos ficando ainda mais tristes por notar que nossos pais ou responsáveis estavam se divertindo com outras pessoas, e mesmo que de longe, nós sempre queríamos a atenção para gente, o que não difere Max de ninguém. Então na busca desesperada e mesquinha, porém compreensível, por carinho, Max acaba por gritar e envergonhar sua mãe o que se transforma numa perseguição onde temos uma mordida do filho na mãe e um “Max, você está fora de controle!”, e é claro a fuga que começa toda história no mundo monstro.
Onde Vivem os Montros
Em sua fuga de casa, Max se torna totalmente irracional e desconta sua raiva como pode, até que numa espécie de devaneio encontra um barco a vela, e começa uma longa jornada, que termina em uma ilha estranha, onde logo de cara, Max nota que na floresta a fogo o que o leva até o ocorrido e mostra umas criaturas estranhas em meio a uma delas que se destaca, destruindo espécies de casulos ou ninhos em uma explosão de fúria, só que Max nota que a tal criatura está quebrando as “coisas” sozinha e que está triste porque ninguém aparentemente concordou em ajudá-lo, então Max decide ajudá-lo a quebrar as “coisas”, quando logo após descobre, que as “coisas” são na verdade as casas das criaturas (podemos chamá-los de monstros agora) que ficam com raiva do garoto e partem pra cima, até que ele, sob pressão, cria uma história de ser um rei muito poderoso, o que acaba lhe concedendo o reino dos Monstros também, e onde sua primeira ordem é gritar, é a selvageria, é correr, tudo que uma criança quer acima de tudo, liberdade!
Logo após uma tremenda fuzaca, o menino é apresentado a todos os monstros e já começa a notar que cada um tem uma característica própria, não apenas como furar árvores, mas como ser mais tímido ou ser mais mesquinho. E após muitas brincadeiras e de descobrir que um dos monstros tem até uma espécie de lugar secreto onde tem uma maquete que romantiza a existência dele e dos outros monstros. Max também percebe que um dos monstros é mais distante, e nota que é justamente um dos monstros que mais gosta, então como rei tenta aproximar o tal monstro (que é fêmea) para junto dos outros novamente, o que de início da certo.
Então Max induz os monstros a construírem um “forte”, onde só eles viveriam, e se alguém mais passasse que não fosse eles teria o cérebro arrancado. Os monstros constroem o forte, ma logo depois de uma confusão tudo começa a dar errado e o monstro mais querido de Max se revolta e acaba descobrindo posteriormente que o garoto nunca foi rei, o que acaba com seus sonhos e o leva a uma louca e irracional perseguição a Max, que encontra a monstro fêmea que nessa ocasião já tinha se separado de vez do grupo que o esconde dentro de seu ventre, logo após despistar o outro, a monstra tira Max de sua boca, numa espécie clara de nascimento ou até renascimento, onde Max sai sujo, melecado e com espécie de vísceras por todo o corpo. Após o novo “nascimento”, o menino percebe que todos precisam de uma mãe e que ele mais do que ninguém também e decide ir embora. Com momentos finais tocantes, Max se vai e o monstro que havia brigado tenta sua redenção e consegue chegar a tempo de nos transpor em lágrimas, até que Max volta para sua casa depois de uma jornada perfeita de autoconhecimento, e logo em sua casa, nos deparamos com sua mãe, que mesmo passando apertos no trabalho, ficou acordada preocupada com o garoto até que cai no sono feliz por saber que ele está lá agora, e Max, também sabe que está lá, e após conhecer todos os monstros ou todas as partes dele mesmo consegue refletir e descobrir que a vida é muito mais complicada do que ele imaginava ser, e que a vida não depende só dele para continuar, mas de toda a família.
Ira
É o mais compreensível dos monstros e sempre se mostra o mais calmo (junto de Douglas). É, de certa forma, submisso e venera Judith, tanto que parecem ser casados. Faz buracos em árvores, o que pode significar uma série de coisas, mas não se destaca muito dos outros, o que nem lhe interessa muito, pois estando com Judith se sente, tanto feliz quanto seguro.
Judith
A mais mesquinha, egocêntrica e mal educada dos monstros sempre quer tudo para ela, e quer ser sempre o centro das atenções não importa o que aconteça. EM muitos momentos refaz o que Max faz em momentos na introdução, e num embate com o próprio menino, mostra a ele o tanto que é difícil dividir atenção, o que o faz refletir mais sobre o que fizera a mãe antes de fugir, querendo apenas a atenção voltada para ele , pelo simples fato dela estar com o namorado. E Judith sempre se mostra desse jeito, colocando sempre o menino sobre a parede e o fazendo cada vez mais refletir sobre seus atos pessoais.
O boi
O personagem que nunca é chamado por nome nenhum no filme inteiro, é o lado mais obscuro e descartável de Max. Ele nunca se destaca em nenhum momento no filme ( a não ser na despedida quando fala pela primeira vez). E mesmo assim, ele sempre está com os outros, mas por muitas vezes nunca o notamos, e a câmera de Jonze se encarrega muito bem disso, com a iluminação que nunca destaca o monstro. Ele é o lado de Max que fica fora dos times quando a jogo, ou que a mãe não escuta quando fala com ela. Ele é o lado que não reclama, mas que sempre se esconde em si próprio com medos e inseguranças.
Alexander
É um dos lados que mais se da bem com Judith. Pois esse é o lado que mais quer atenção, mesmo que de uma forma que não chega a mesquinharia ou individualismo, mas apenas a forma mais inocente que todas as crianças têm por seu “querer atenção”. Ele é tímido e esquivo, e sempre se preocupa se estão ouvindo ele ou se faz parte da conversa. É Max querendo que a irmã vá brincar com ele sem retorno.
KW
Contém algumas características de Max, mas é quase totalmente a sua mãe. Max cria KW para lhe acolher naquele mundo e sempre te proteger, mesmo na hora que seu melhor amigo se volte contra ele. A relação que Max mantém com ela é a mesma que mantém com sua mãe. Ele tem vergonha de chegar de cara em sua mãe em certos momentos, e demonstra o mesmo com KW, e toda vez que a vê com o outro monstro e também melhor amigo, se sente feliz, pois de certa forma o outro monstro é o pai de Max que nunca dá certo com sua mãe e acabam sempre morando separados. E o momento chave de KW para compreender como ela significa o leito materno para Max é sim a hora do nascimento, a hora que ela protege o garoto até de seu possível amado, a hora que ela se liga totalmente a Max, a hora em que ela dá a luz ao garoto, a hora em que ela faz Max se lembrar totalmente de sua mãe.
Carol
Além de ser o monstro mais profundo e importante de todos possui duas imagens, uma de Max, a outra de um pai. Mais a de Max, pois a figura paterna de Carol está sempre ligada ao carinho que ele sente com o menino e a sua relação com KW. Mas Carol é puro Max, e o pior Max, ele não quer atenção, não quer carinho, mas quer o que quer. E como Max quando fica bravo com algo, Carol “sai de controle” e começa a quebrar as coisas, a machucar seus entes queridos e a se revoltar com tudo. Carol pode ser o monstro que mais cativa Max, mas é o que mais o amedronta, pois é ele mesmo. De todos eles, Carol é o único que faz Max refletir 100% sem nenhum esforço, por isso que se dão tão bem, logo de cara. Mas nesse logo de cara se notarmos, Carol estava a destruir as casas de seus amigos só porque KW fora embora, o que não justifica tais atos, e mesmo assim Max acha que é uma brincadeira e logo depois percebe o quão sério era o quebrar das casas.
Então, toda vez que Carol fica com raiva começa a quebrar as coisas e a machucar seus entes queridos, o que faz Max ir pensando durante toda jornada junto aos monstros. E quando o fim está próximo, Carol já não tenta compreender o porque de Max querer um lugar secreto, para viver momentos solitários e consigo mesmo, não tenta compreender o porque de Max ter mentido sobre ser rei, e não tenta entender mais nada sobre o garoto, e numa explosão de fúria corre atrás do garoto, que acaba sendo protegido por KW. Carol se revolta com tudo e destróis até sua maquete (outra menção a semelhança dele com o menino). Mas no fim, até percebe que está errado, e que a ignorância não é a alternativa correta, mas isso justamente após o “re-nascimento” de Max e seu compreender de tudo, seu compreender sobre todos os atos que o levaram a viagem até a ilha dos monstros, seu compreender de que gritar com ou morder sua mãe não é a alternativa certa. E Carol percebe quando Max percebe e está indo embora, daí toda a união é feita e definida, e Max volta pra casa seguro de si, e sabendo que entrou em uma nova fase de sua vida. Mas pra isso tudo acontecer, foi preciso uma longa jornada (imaginária ou não) para um mundo onde todos os Max’s estavam e nada melhor do que nós mesmos para perceber nossos defeitos.
5/5
de Igor Frederico
Screens
Marca da Maldade
21/01/2010
Engraçado como a fama desse fantástico noir de Orson Welles deve-se, sobretudo, a sua cena inicial. Um plano-sequência a ser visto e revisto em seus mínimos detalhes. Três minutos, apenas três minutos e um exercício formal de cinema absurdamente genial e o diretor já nos embarca na intricada história. Há outros grandes momentos no filme – como o quando o personagem de Heston, Vargas, persegue a Quinlan (Welles, extremamente obeso) e seu parceiro (este, com uma escuta), enquanto aguarda certa confissão de Quinlan -, mas, que não igualam a genialidade desse primeiro plano-sequência.
Por Allan Kardec
A Fita Branca
21/01/2010
Das weisse Band, 2009 – Direção: Michael Haneke – Elenco: Ulrich Tukur,Leonie Benesch,Ursina Lardi.
Uma linda obra, onde Haneke mostra que com os anos só melhora o que já era bom e torna tudo mais bem produzido, o que causa um resultado final impecável. Difícil é qualquer um se atrever a achar defeitos em Fita Branca, pois do ritmo as belas cenas estáticas nada causa uma má impressão, pelo contrário, só reafirma a proposta principal de Haneke para o filme.
Em uma aldeia que vivia em paz, sem problemas maiores que resfriados, tudo começa a dar errado quando o médico da vila sofre um acidente intrigante. Sem o médico da vila, o único, as pessoas adentram aos poucos em uma espécie de socialização anárquica e começam a ficar impacientes e perdidos, quando mais acontecimentos bizarros e violentos surgem.
Haneke utiliza a câmera como sempre, de forma genial e nos concede o pequeno direito de saber o que todos ou alguns sabem em determinados momentos. Sempre temos apenas um ou dois pontos de vistas de uma mesma cena, mas nada muito mirabolante, pois fazemos parte da vila/cena. Os posicionamentos que Haneke concede tornam sua mise-en-scéne sempre mais clara e forte. A fotografia extremamente impressionante amplia o poder do conjunto cenográfico e traz todos os sentimentos propostos a tona, tensão, as vezes medo, surpresa, e té dor, tudo ajudado pelo expressionismo depressivo do preto e branco lançado.
A concretização de ambientação chega por meio das atuações fortes, porém contidas. O mostrar da alienação que a vila e seus membros sofrem sempre sendo rígidos, no caso dos pais, ou submissos, no caso dos filhos é surpreendente. Mas os figurinos sempre secos e tristes completam o todo e em cenas sem ação alguma, apenas com a tensão crescente que surge minuto após minuto do “não sabermos” sobre os acontecimentos ou quem está fazendo isso. E esse anti-Vouyerismo é agonizante, pois nos completa como parte do povoado e nos faz saber apenas o que todos sabem nos momentos que sabem, ou até depois.
Agora, quando tudo começa a fazer sentido, ou não, e nós realmente pensamos que sabemos quem tem feito tudo isso, ou não, nos dá uma sensação de reconforto, a mesma que o professor e narrador da história sentiu no momento em que tudo começou a se encaixar. As crianças sempre pareceram ter um papel importante (parece, nunca temos certeza) nos trazem desconfiança do mesmo modo que no professor. Fico intrigado e pensativo em como Haneke consegue fabricar cinema do jeito que quer, em violência gratuita somos espectadores e parte do espetáculo, em Fita Branca somos parte dos acontecimentos, nada mais.
Mas no fim, quando paramos de saber sobre o que acontece ao mesmo tempo que o professor se muda da cidade e somos obrigados a ver os créditos subirem em um silêncio sem desfecho positivo, só há uma coisa a dizer sobre Das Weisse Band: é o melhor filme do ano passado.
5/5
de Igor Frederico
Eu não podia deixar de postar os screens, lindos de mais.
Coloquei os screens pra tentar expressar o que senti melhor do que com as palvras acima que não signifaram muito, afinal o filme só tem sentido se visto e ouvido, só assim da pra senti-lo.
Agora me diz se a “revolução” que são as imagens de avatar superam essas?
Um resumo visual de Mary
07/01/2010
Como fazia um tempinho que eu não postava nenhum screen dos filmes do Ferrara, postar os de Maria que consegue ser um dos Ferrara’s mais negativos e que mais mostra a desgraça de seus personagens unida de fé e “não fé”. Filme lindo visualmente, Ferrara larga a iluminação de putaria e traz um expressionismo visual fudido.
de Igor Frederico
Um resumo visual de The Rocky Horror
29/11/2009
King of new york – screens
22/11/2009
New Rose Hotel screens – Parte 1
18/11/2009
Já que o Luiz postou lá no Zabriskie Point eu vou postar os meus aqui também. Só que vou postar os meus preferidos. E pela ordem cronológica, começa pela abertura do filme que me exita por de mais.
Os enquadramentos de Ferrara, a pose marrenta de Dafoe e a puta música tema fazem dessa junção de quadros uma das minhas preferidas de todos os filmes que já vi.













































































































































































































